novembro 25, 2005

De maneiras que é isto.

Como eu acho que este blog tem uma categoria acima de qualquer suspeita, como consegui cachet para pagar ao excelente painel de comentadores que aqui se dirige regularmente, tenho, por obrigação e dever moral, proporcionar aos digníssimos um encontro para debater ideias, fazer tricot, fazer uma corrente de pensamento sobre em que canditato da esquerda votar, fazer brincos de missangas, broches, enfim, o que melhor nos aprouver. Dito isto, e porque não quero favorecer a mesmice de outros blogs, proponho não um jantar, mas um chá. Não à noite, mas à tarde. Não no sábado, mas no domingo. Agora que vos espantei a todos com a minha capacidade inventiva, posso dizer-vos que gostava que aparecessem, portanto, no Domingo, a partir das 17 horas, naquele bar que fica no Miradouro do Adamastor-como-quem-vem-do-Bairro-e-chega-é-do-lado-direito-descemos-umas-escadas-e-é-aí. Uma vez juntos, podemos falar, cantar, rir, comer, beber, enfim. Quem quiser foder também pode, mas eu não aconselho aquele lugar por ser muito ventoso e aragem nesta altura do ano é gripe na certa. Aos anónimos que cá vêm, aproveitem e apareçam para me insultar em directo.
Cumps.

novembro 24, 2005

Sexless post

novembro 23, 2005

Since we´re on the subject...

Roy Cohn: AIDS. Homosexual. Gay. Lesbian. You think these are names that tell you who a person sleeps with, but they don't tell you that.
Henry: No?
Roy Cohn: No. Like all labels they tell you one thing, and one thing only: Where does an individual so identified fit into the food chain, the pecking order? Not ideology or sexual taste, but something much simpler: clout. Not who I fuck or who fucks me, but who will come to the phone when I call, who owes me favors. This is what a label refers to. Now to someone who does not understand this, a homosexual is what I am because I have sex with men, but really this is wrong. A homosexual is somebody who, in 15 years of trying cannot get a pissant anit-discrimination bill through the city council. A homosexual is somebody who knows nobody and who nobody knows. Who has zero clout. Does this sound like me Henry?
Meus queridíssimos visitantes deste blog,
acabei de rever (pela 5ª vez) a série Angels in America, a melhor serie sobre a qual já pousei os olhos e a cabeça.
Claro que gostei do Sexo e a Cidade, ou do Donas de Casa Desesperadas, e do excelente Six Feet Under, e vou adorar o Weeds. Mas nenhum destes me fez ou fará sentir a infinidade de coisas da forma que estes anjos o fizeram. Não sou pessoa de ver filmes ou ler coisas várias vezes. Mas senti que esta mini-série tinha muito mais para além da fímbria do que nos era mostrado. Talvez porque é uma história sobre pessoas bonitas em contextos feios, porque tem um texto magnífico que nos trespassa e faz sangrar e expurgar um bocadinho dos nossos pequenos venenos. Contém um humor cínico, que me encanta, uma aridez que me entristece e uma ternura que me apanha debalde. Consigo emocionar-me e enraivecer-me a um só tempo e desejo sempre que o fim seja apenas um intervalo.
A frase que escolhi é apenas uma das muitas que me ficaram. E trouxe-a aqui porque é uma citação aberta, passível de interpretações várias.
Que comece o jogo da hermenêutica...

novembro 22, 2005

Safe sex

Há coisas que me fazem uma «espéce» do caralho. Ontem jantei com uma amiga, daquelas que nunca pode estar comigo porque tem sempre imenso que fazer, ndr. ir a exposições, ler «imensa coisa», tomos enciclopédicos provavelmente, cinema, teatro, participar em colóquios, conferências, voltar a ler «imensa coisa», dar-se com a cúpula intelectual lisboeta, dar aulas na faculdade, enfim, a mulher não pára. Relações conheci-lhe algumas. Umas mais fugazes que outras, mais ou menos intensas, não interessa. Gosto dela porque apesar de não falarmos exactamente a mesma linguagem, dividimos a mesma opinião por um dos meus assuntos favoritos: o sexo. É das poucas mulheres com quem já partilhei casos (post mortem, entenda-se...os casos, claro...), e com quem falo abertamente das dúvidas que me assolam neste plano. Aqui a conversa flui sem grandes entropias. Partilhamos experiências como quem troca receitas vegetarianas e ajudamo-nos mutuamente a encontrar a fórmula perfeita para a performance sexual como quem procura o ingrediente secreto na melhor loja gourmet. Com ela, aprendi que o sexo pode e deve ser requintado, estético, que a plasticidade do acto lhe confere beleza e aumenta o grau de excitação.
Estávamos ontem em mais uma destas conversas, quando cai a pedrada no charco. Eu comentava com ela a dificuldade em fazer um bom broche com preservativo, na minha clara incapacidade de o colocar com a boca, quando sou questionada com a força de um trovão tropical: «Mas tu fazes broches com preservativo?», ao que eu respondo «Sim, no início, quando conheço mal a pessoa, todos nós temos um passado...». Silêncio. «Sim, ok, preservativo, claro, mas só quando há cópula, que sabes que eu tenho pavor da SIDA, mas ainda assim, eu nunca fiz um broche com preservativo.» «Mas eles vêm-se na tua boca?», ao que ela diz, «Sim, claro...»
O assunto mudou rapidamente o rumo. Ela porque ficou constrangida, eu porque fiquei embasbacada. Não consegui articular mais nada sobre o assunto, também não era necessário... Ficou no subtexto. É muito complicado depararmo-nos com aquilo que não sabemos e que é de capital importância. Foder sem preservativo é perigoso. Fazer broches e ter sémen na boca cuja proveniência conhecemos mal, também. Às vezes deleitamo-nos com a estética do acto, e perdemos aquilo que é verdadeiramente importante. Discutimos sobre se o sexo é legítimo, se é justo, feio, porco. Se somos umas putas na cama, umas freiras, frígidas, cabrões egoístas. Mas quantos de nós o fazemos, realmente, de forma segura?
Quem nunca pecou que atire a primeira pedra...
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