outubro 21, 2005

TPM # 12

Sou naturalmente ambivalente. Sou casualmente diversa. Gosto de tudo mas tenho dias em que não me apetece nada. Quando era pequena, queria ser médica ou arquitecta, e depois jogadora de futebol ou bailarina. Hoje em dia, gostava de ser realizadora de documentários ou viajante. Sou racional e emocional no mesmo espaço de tempo. Gosto muito e não gosto nada com a mesma força. Sou maniqueísta e detesto manipuladores. Profissionalmente já fiz de tudo e ainda nada me satisfez completamente. O meu pantone tem cores estranhas e estou certa que muitas outras hão-de surgir ainda. E isto aflige-me. Porque embora saiba que não somos só isto ou aquilo, ser tanta gente em tantos milhares de situações diferentes torna difícil certos exercícios e trabalhos interiores, especialmente aqueles que acontecem quando quero analisar, pensar distinguir, chegar a conclusões. Obviamente, tenho conceitos transversais que são basilares para mim, sendo a liberdade o mais importante. Mas com quanta frequência seremos completamente livres? E como ser livre criando laços e estabelecendo ligações com os que estão colocados no nosso perímetro? O meu quotidiano é feito destas dúvidas.
Será que vai chover no fim de semana?

outubro 19, 2005

Sex Talk

Boy - Estou? Olá é o D. Tudo bem?
Girl - Sim, e tu?
B - Também. Era para saber se sempre está marcado o date de hoje.
G - Sim, claro. Vens cá ou eu vou aí?
B - Estava a pensar em jantar fora e depois íamos até ao Lux.
G - ... (silêncio)...pois...eu estava mais numa de passar aos finalmentes...
B - Como assim?
G - Sim D, não me leves a mal, eu acho-te simpático e tal, mas ao fim de dois jantares e ídas ao Lux já percebi que o que quero de ti é sexo. Como tal, my place or yours?
B - Vai pó caralho! - e desligou...
Contexto: os dois jantares e idas ao Lux tiveram direito a alguns beijos e sex talk numa tentativa de situação de pleasure delay. Já farta de esperar pela Fase B, a Girl coloca as cartas na mesa e leva uma tampa de muito mau gosto.
Quem é que é complicado, quem é?
;-)

outubro 18, 2005

Another boys and girls discussion....

A propósito de uma discussão neste blog, onde tento colaborar (embora dificilmente...):
Como em quase tudo, faz-me alguma confusão que os assuntos se dividam por género. Não me parece que haja uma forma de ser e sentir exclusivamente feminina ou masculina, embora admita que mulheres e homens, no processo de acasalamento, se comportem de formas diferentes, mais por serem pessoas diferentes e não tanto porque diferem em sexo.
Nunca tive a mínima paciência para os jogos de sedução. São, a maioria das vezes, uma seca e mal jogados. Normalmente, os homens tomam a dianteira e movem-se no tabuleiro de xadrez como se soubessem coisas que a mulher não sabe, com trunfos que ganham nas movimentações desse tabuleiro social, em coisas que são permitidas a uns e vedadas a outras. Logo aí, o mulherio está em desvantagem. E depois existem aquelas, como eu e felizmente somos cada vez mais, que insistem em mudar as regras do jogo. Afinal, o beneplácito régio do xadrez não se confina ao Rei comer a Raínha. Para nós, a Raínha pode e deve comer o Rei quando quer e assim o deseja, num jogo de poderes que está mais equilibrado que nunca.
É óbvio que, apesar desta inversão de valores instalados, as mulheres continuam a querer ser bem tratadas. Como os homens, de resto. As pessoas, no geral, gostam que as valorizem, as mimem, que percam tempo com elas. Mas para que as mulheres reivindiquem o que quer que seja junto da camadas masculina, têm que começar elas mesmas por se dar o devido valor. E isto passa, em grande escala, pela assumpção dos seus desejos e da sua condição de mulher. Uma mulher bem tratada é a que se trata bem. A que não permite ficar aquém dos mínimos olímpicos, a que não perde o controle sobre si mesma quando se apaixona e, sobretudo, a que não se deixa manipular pelas falácias iníquas que os outros insistem em ditar sobre a sua própria vida. No fundo, é tentar ser feliz e cada vez melhor pessoa, e exigir isso do outro. Porque só assim se pode aportar alguma coisa de verdadeiramente valiosa para uma relação a dois.

outubro 17, 2005

Pequenas considerações cinematográficas

Há fins de semana que são tão ricos em qualquer coisa que nos esqueçemos da merda que as nossas semanas são. O meu sábado foi tão bom, tão profícuo que até me sinto mal porque me sinto mal de hoje ser segunda feira. Sábado foi um dia em que os mimos que deveria distribuír pelos outros os guardei só para mim. Comecei a mimar-me às 18, no DocLisboa, com o documentário do David LaChapelle, Rize. MARAVILHOSO!!! Continuou com o Alice, o melhor filme português até à data. MARAVILHOSO!!!. Menos bom, foi o Last Days, do Gus Van Sant, sobre os últimos dias da vida do Kurt Cobain...enfim, nada é perfeito, mas também já estava de barriguinha cheia. Como ainda tinha um ratinho a roer, fui ao japonês alambazar-me de sushi e tempura enquanto via o Benfica (blhéq!) afastar-se dolorosamente do meu Sporting.
Hoje estou animicamente em baixo e não vos consigo explicar porque razão estes filmes me tocaram tanto. Acho que é por ainda os estar a deglutir, a ruminar e por me terem feito sentir tantas coisas que ainda não tenho o pensamento em ordem. Mas voltarei a eles em tempo últil.
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