outubro 14, 2005
outubro 13, 2005
Maré Vazia...ou talvez não.
Ontem, histérica de alegria e contentamento, meti-me no bólide depois da FNAC e fui em killer mode até casa. Debaixo do braço levava uma caixinha de DVD´s azul, à qual me agarrava como se a minha vida dependesse dela. Chego ao Palácio, faço um tabuleirinho com um hot dog e um Sunny D, Florida Style, e refastelo-me no leito Real a rebentar de conforto. Sem saber ainda o que me esperava, ligo o DVD e ouço a música do Verão Azul. De imediato me vêm à memória as tardes em casa da avó, nas quais vivia ansiosa para que o relógio batesse as 3 e assim ligar a televisão. Começava o Agora Escolha, da Vera Roquette. Independentemente do que fosse o Bloco A ou o Bloco B, a turma do Piranha preenchia o intervalos das votações ao mesmo tempo que animava aquela minha hora diária.
Passou o genérico e passou a animação. Porque se um clássico é um clássico é um clássico, porque o tempo passa e ele é sempre bom sempre bom sempre bom, então o Verão Azul não é um clássico. Das duas uma: ou houve uma geração inteira a sobrevalorizar uma série que se tornou de culto, ou então aquilo é muito à frente e eu não topei o alcance. Na altura, pareceu-me um grupo coeso, amigo, com as diferenças naturais entre as pessoas, mas sobretudo, unido. Hoje, parece-me irreal que um velho e uma quarentona, o Chanquete e a Julia, pudessem andar um Verão inteiro a aturar uns chavalos mimados com brincadeiras parvas, porém próprias da sua idade. Para além disso, hoje em dia vejo que o grupo sobrevivia à custa das fragilidades uns dos outros numa autofagia cruel. A Bea, a rapariga gira e disputada, era a compincha da Desi, a do aparelho nos dentes e de óculos que ninguém queria nem para pano do pó. O Javi, que se vivesse cá seria um betucho do Planalto, rivaliza com o Pancho, a encarnação mais perfeita da minha fantasia dos putos da Casa Pia, numa luta, como se calcula, desigual. Em condições normais, estes putos nunca se teriam sequer cruzado. O Quique (que é igualzinho ao Bill Murray), é tão anódino, que se vê logo que tá ali só pa encher chouriços. É mais um betucho que tem que existir para dar contracena e fazer o contraponto com o outro. O betucho esperto e o betucho burro. Na realidade, o núcleo dos mais novos, Tito e Piranha, é o mais interessante e o mais verosímil. Por incrível que pareça, o Piranha é o que tem as falas mais inteligentes. Mas como os gordos são sempre sacos de porrada, o seu personagem está ali apenas para nos espantar, e supostamente fazer rir, com a quantidade de comida que consegue deglutir.
Portanto, agora que sistematizo a coisa, se calhar o Verão Azul é, na realidade, um clássico. Porque se pensarmos na forma como os grupos de organizam hoje em dia e no modo maniqueísta como as personagens nos são apresentadas como sendo um espelho da vida real, então esta grupeta é do mais actual possível.
Foda-se. Agora não sei se fique triste se fique contente. Acho que acabei com o mito...
outubro 12, 2005
To whom it may concern
Há pessoas que são infelizes. Há pessoas que nunca na vida serão felizes. E há ainda outras que, sabendo isso, não suportam a felicidade dos outros. É o chamado azar do caralho. Porque, na realidade, ninguém tem culpa que essa gente seja uma merda, que ninguém lhes passe cartão, que o papá e a mamã não lhes tenham dado na tromba quando pequenos, ou, pelo contrário, que o papá e a mamã lhes tenham dado muito na tromba, que ninguém pare para os olhar, para os escutar, para os valorizar e motivar, que a iniquidade tenha tomado conta da vida deles e não se consigam alijar de traumas e frustrações. Ninguém tem culpa disto, nem os próprios.
Do que têm culpa é de fazerem os outros se sentirem culpados por terem uma vida e serem pessoas que eles nunca, em várias vidas, serão. E então destilam veneno, meio abúlicos, sem nexo, sem piada. Não há um chiste bem metido, uma provocação que provoque. É uma espécie de litania condoída, uma mofa descarnada de ideias, um gadanho pouco afiado. Facúndia não é com eles, mas também ninguém lhes pede tanto. Aliás ninguém lhes pediu nada...
outubro 11, 2005
Long Live the Youngsters!
Há poucas coisas que me fazem abrir a pestana de manhã. O meu ritual diário, praticamente monomaníaco, é feito de olhos fechados com uma precisação cirúrgica digna dos melhores ourives suíços. Do levantar ao sair de casa, a minha rotina é impregnada de bifidus activo: funciona como um relógio.
Assim que transponho os limites do Palácio Real em direcção à carreira que me levará ao local onde trato de coisas de extrema importância para a Humanidade, tenho dado de caras com um súbdito que faz os meus olhos abrirem quase até meio. Rapaz novo, que eu como com os olhos semi-cerrados, e que me faz ter pensamentos libidinosos no território da Carris, a horas impróprias para consumo. Só por isso, já vale a pena levantar de manhã. Para admirar aquelas 22 ou 23 aninhos cheios de saúde e imaginar, qual Gabrielle Solis ao jardineiro, a ser podada pelo corpo imberbe mas vigoroso do meu companheiro de viagem.
Claro que enquanto olho para ele e as minhas sinapses se movem a este ritmo, deixo escapar um sorriso ou outro, do tipo «comia-te todo», ao meu melhor género carroceiro, o que o faz ruborizar e desviar o olhar. E aí penso que há alguma coisa de bonito nisto, para além de extraordinariamente erótico... Os rapazes mais novos são menos complicados porque têm menos bagagem, menos vícios. São mais solíctos e estão dispostos a tudo para nos agradar, mesmo que o façam de forma atabalhoada que a falta de maturidade sexual obriga. Mas como são bons ouvintes, podem tornar-se bons amantes. Têm um traço recalcitrante que funciona em conjunto com a endurance da performance. E no final, the beauty of it, é que não nos querem para mãezinha, nem para esposa, nem namorada. Ficas a amiga mais velha, a que guia, ensina e dá prazer. Tout court!
E nunca mais é amanhã de manhã...
outubro 10, 2005
É a Cóltura, estúpida!
Um antibiótico e muitos Tylenols depois, eis que dei cabo das gajas. As putas das bactérias não escolhem credo nem classe social e atacaram a Realeza como abutres à carniça. Forçada a alterar os meus plano de fim de semana, limitei-me ao que podia fazer em casa (à excepção de sexo) e descobri que há uma relação muito próxima entre o cultivo da saúde e o cultivo da mente.
Ora vejamos:
Ao primeiro antibiótico vi os programas da manhã. Entre os gritos histéricos do Goucha e a Palhaça Picolé, fiquei-me pela lábio recolhido da Fátima Lopes. É igualmente mau, mas ao menos veste-se melhor. Escusado será dizer que este foi o mote para o segundo sono da manhã, que antecedeu o almoço e as notícias da tarde. Não é tanto por masoquismo, mas a minha formação «obriga-me» e fazer zapping ininterrupto pelos noticiários para ver quem abre com o quê, quem trata melhor esta ou aquela notícia, enfim, merdas que não interessam nem ao Menino Jesus e não me deviam interessar também, mas o que é que se há-de fazer... À tarde, acabei o Sr. Palomar, do Calvino, livro que recomendo a todos. Lá prás seis, o leitor de DVD «tocava» o Alta Fidelidade, que, como sempre, não faz justiça ao livro. Eram oito e já o Tico gritava pelo Teco tal era a quantidade de informação que eu teimava em absorver com as minhas defesas na terceira cave. Ás sete da tarde, achei que o que ia mesmo a calhar era rever, pela enésima vez, o último episódio do Sexo e a Cidade. Done. Ás nove fiz um telefonema de emergência:
- Tou? Sou eu. Tou doente. Fazes-me um favor? Podes ir aí ao lado à FNAC comprar-me o Nip Tuck? A primeira série sim. Podes trazer-ma aqui a cima? Olha, passas ali no Vertigo e trazes-me uns baeeeegelllllllssssss...não tou a implorar... tá bem, tou a implorar....tou doente mas não abuses...gracias, té já...
Sábado veio e eu já tinha visto todo o Nip Tuck, acabado a Mancha Humana, do Philip Roth, revisto as reposições do ER e do CSI no AXN, eram ainda três da tarde...
Passei ao Plano B.
- Tou Rita? Tá tudo? Não querem passar por cá? Tou doente... (a fazer voz de doente)...ah, tá bem, ok...não, claro, tudo bem...não, não preciso de nada, tenho aqui tudo, obrigada....
Estava sequiosa de conversar com alguém que não fosse o meu amigo imaginário, mas os meus amigos reais armaram-se em modernos e decidiram arranjar uma vida para além da minha...
Resultado do fim de semana: 3 livros, 4 dvd´s, e toda a TV do mundo.
Being sick sucks!
Clube do Bolinha - Menino não entra
Para as minhas queridas que há uns tempos me perguntavam pelas aulas do Varão, aqui vão as coordenadas:
Círculo de Dança de Lisboa (algures entre a Estrada de Benfica e o Colombo), 150€ por 8 aulas individuais. Se levarem amigas fica mais barato.
Trust me! É do melhor...
Círculo de Dança de Lisboa (algures entre a Estrada de Benfica e o Colombo), 150€ por 8 aulas individuais. Se levarem amigas fica mais barato.
Trust me! É do melhor...

